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Anotações com base em HUI Yuk. Tecnodiversidade (2020)

Índice

PáginaConteúdo
7Apresentação (Ronaldo Lemos)
15Prefácio a esta edição
211. Cosmotécnica como cosmopolítica
472. Sobre a consciência infeliz dos neorreacionários
733. O que vem depois do fim do Iluminismo?
974. Máquina e ecologia
1275. Variedades da experiência da arte
1576. Sobre os limites da inteligência artificial
1897. Cem anos de crise
215Fontes dos textos
216Índice onomástico
219Sobre o autor

Orelhas, Capas e Contra Capas

O livro é uma reunião dos principais textos de Yuk Hui

Hui recusa a universalidade de uma única tecnologia e propõe pensar a Tecnodiversidade, que pode ser definida como:

multiplicidade de cosmotécnicas que diferem uma das outras em seus valores, epistemologias e formas de existência

O conceito de cosmotécnica engloba as atividades técnicas produtivas em uma concepção particular de cosmos e moral.

Hui dialoga com uma corrente contemporânea da antropologia conhecida como “virada ontológica”, que busca uma resposta a “crise da modernidade”, que pode ser entendida como uma separação da natureza e cultura e que se expressa de modo geral em termos de uma crise ecológica ligada ao Antropoceno. Essa corrente inclui autores como: Philippe Descola, Bruno Latour, Roy Wagner, Marilyn Strathern e Eduardo Viveiros de Castro.

Para Hui, a crise não poderá ser enfrentada se o que chamada de globalização tecnológica unilateral permanecer vigente (define essa como uma “racionalidade como forma de neocolonização”), portanto, sem tecnodiversidade, seremos incapacidade de manter uma biodiversidade necessária para se evitar essa crise atual (ex: pandemias).

Para Hui, o caminho da superação da conjuntura atual é uma política “decolonial”, em benefício de uma pluralidade de cosmotécnicas, para então obtermos novos futuros tecnológicos e isso perpassa pelas culturas não europeias sistematizarem as próprias cosmotécnicas.

No prefácio dessa edição, Hui levanta duas questões:

  • O que significaria uma cosmotécnica amazônica, inca, maia?
  • Como essas cosmotécnicas poderiam nos inspirar a recontextualizar a tecnologia moderna ?

Para Hui, é preciso contestar os pressupostos ontológicos e epistemológicos das tecnologias modernas (sejam elas as redes sociais ou a inteligência artificial).

Apresentação - Contra o derrotismo em Face da Tecnologia (por Ronaldo Lemos)

Para Lemos, Yuk Hui articula uma filosofia da tecnologia “libertadora e em essência humanista”

Para Lemos, a idéia de singularidade, que é amplamente adotada pelo ocidente é uma distração, essa singularidade pode ser definida como:

Por singularidade entenda-se o momento hipotético em que a tecnologia se torna incontrolável e irreversível, fonte de mudanças imprevisíveis na civilização… a superação do homem pela máquina P7

Explica como Hui trabalha o conceito de multiplicidade em oposição a singularidade e aponta a singularidade como uma ferramenta política de dominação: “se a tecnologia é universal, que forças definem a sua construção e disseminação?“. Quem adota a postura da tecnologia como universal, adota a postura de dominação, submetendo o mundo a sua cosmovisão

A tecnologia não é transcendente a natureza e ao cosmo, a tecnologia faz parte de ambos.

Para Hui, a confiança na tecnologia divorciada do humanismo é uma forma de perda do cosmos, Hui é contrário a interposição de tecnologia entre a humanidade e o cosmos

Mostra como Hui em HUI Yuk. The Question Concerning Technology in China - An Essay in Cosmotechnics (2016) demonstrou a ausência dos conceitos ocidentais de tecnologia no pensamento oriental.

É apresentado brevemente um conceito de tecnologia como uma forma de atomização, que dissolve o coletivo em individualidade cada vez menores e particulares em oposição a visão otimista (do ocidente) sobre a tecnologia universal.

Levanta a questão sobre a impossibilidade da privatização do universal

Mostra como Hui invoca a busca por uma nova cosmologia, a técnica como mais um entre os elementos da existência

Crítica a noção ocidental de entrelaçamento de Danny Hillis, por pregar uma reindição diante da técnica, e um determinismo, que Hui busca se afastar

Prefácio a Edição Brasileira

§1 - Propõe uma rearticulação da questão da tecnologia

§2 - Rejeita a visão de Toynbee sobre uma tecnologia não neutra classificando-a como uma falha de interpretação do século XX

§3 - Descreve o desenvolvimento da tecnologia do século passado com base no conceito de noosfera (Pierre Teilhard de Chardin) criticando o discurso da nova era axial

§4 - Defende a necessidade de um projeto de decolonização que se distancie de maneira consciente do pós-colonialismo

  • afastamento de uma visão da tecnologia como algo não essencial e de caráter meramente instrumental devido o favorecimento de uma história tecnológica fundamentalmente europeia
  • descreve como a filosofia possibilita que a modernização como globalização gere um processo de sincronização dos diferentes tempos históricos que prioriza certos tipos de conhecimento
  • relaciona a cibernética com a noção de fim da filosofia Heideggeriana

§4 - Propõe uma fragmentação para se afastar de um tempo histórico-linear (pré-moderno / moderno / pós-moderno / apocalipse)

  • Crítica a noção de tecnologia enquanto força exclusivamente produtiva

§5 - Propõe uma recontextualização da tecnologia moderna através de um retorno a natureza e das cosmotécnicas

§5 - Questiona a possibilidade de um diálogo transversal entre as culturas não europeias e a modernidade tendo em vista sincronização global

§6 - Apresenta a modernidade e a pós-modernidade como vieses ontológicos e epistemológicos ás condições tecnológicas europeias (mecanicismo e cibernética)

§7 - Defende a necessidade de uma confrontação do conceito de tecnologia em si como condição para se pensar uma filosofia pós-europeia

§7 - Argumenta que um desvio radical do eixo de tempo global só será possível mediante a conversão da força tecnológica em uma relação contingente e de seu reposicionamento a partir de uma perspectiva de múltiplas cosmotécnicas

§8 - Demarca os artigos da obra com relação a teoria da tecnodiversidade e da fragmentação

  • busca elaborar uma teoria política a partir da tecnodiversidade

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